Templates by BIGtheme NET
Home / Em Destaque: / Artigos / São Tarcísio: O heroísmo de escolher Jesus.

São Tarcísio: O heroísmo de escolher Jesus.

4734024271_f4b4d3c0c1_bEm tempos da Igreja primitiva e perseguições promovidas pelo império surgem uma constelação de nomes santos que preferiram perder sua vida a deixar de viver retamente diante de Jesus. Dentre estes tantos luminares de mártires destaca-se o valoroso jovem Tarcísio. O mártir da Eucaristia.

A necessidade de levar Jesus eucarístico aos encarcerados cristãos levou este jovem ao ímpeto valoroso de colocar-se a disposição para esta missão. E mesmo sendo tão jovem entendeu a grandiosidade daquela missão. Tarcísio por fim no caminho para aquele grandioso labor encontrou o martírio. Foi apedrejado por negar-se a revelar o conteúdo do tesouro que carregava próximo ao peito. Anda sob uma chuva de pedras, injúrias e pontapés manteve-se firme no seu propósito :“Ó meu Jesus, ninguém vos tirará do meu coração”. Foi ao ponto extremo de dar sua vida para que nada fosse cometido de profano contra o Santíssimo Sacramento.

A grandeza do ato de Tarcísio conduz meu pensamento ao heroísmo deste jovem em escolher Jesus com sua vida. A grandeza de seu ato não consiste puramente no ato exterior de dar sua vida, já por si só admirável, entretanto reside no firme propósito que edificou no seu interior. O ato valoroso de negar-se a brincar naquele momento, para realizar com dedicação o seu juramento de levar com sua vida o Senhor Jesus aos encarcerados. Este é o heroísmo dos mártires. Um ato que sobrepõe todas as coisas humanas por aquilo que existe de mais elevado : o carregar Jesus com sua vida sem jamais abandonar sua Presença e Amor. E este ato foi uma escolha que dispensou outro ao qual humanamente falando poderia realizar. Que maldade haveria em brincar? Sendo ainda tão infante poderia sem temor algum se deter em jogos e divertimentos com aqueles outros meninos, no entanto Tarcísio escolheu ser portador de Cristo. Escolheu Cristo por inteiro. Que menino admirável! Nada o retirou do seu caminho de conduzir Jesus aos seus irmãos. O heroísmo não consiste que façamos grandes façanhas!  A grandeza do homem não consiste no fato de que ele faça “grandes coisas”, mas que ele faça com grandeza aquilo que tem que fazer no seu estado de vida. É isso que devemos chamar de heroísmo. Foi isso que aquele menino fez. Ele manteve-se firme na sua resolução e com heroísmo venceu todas a intempéries.

Como falta em nós um pouco deste menino! Pouca coisa e soltamos o Senhor! Nosso heroísmo se esvai facilmente diante das provações, dos prazeres e das coisas que o mundo oferece. Não temos heroísmo naquilo que fazemos, no nosso estado de vida porque ainda estamos presos a nós. Não era Tarcísio que prendia Jesus aos seus braços, mas era o Senhor que o carregava com o peso do seu Amor. Não somos capazes de sentir o peso do Amor de Jesus em nossas vidas. Somos demasiado mesquinhos e soberbos, pessimistas ao ponto de não percebemos que também Ele nos escolheu para carregar sua presença aos outros. Vejo Tarcísio como modelo de heroísmo porque soube sobre todas as coisas escolher a Pessoa que o sustentava em seus propósitos.

O que diz o mundo do heroísmo se não uma vitória constante sobre determinado obstáculo, coisa ou pessoa? Um ato heroico é fazer coisas ditas “grandes”, em outras palavras, que todos possam ver. Aos olhos de Deus o grande heroísmo consiste em realizar com afinco o seu propósito como pessoa. Os esposos na sua fidelidade mútua, os castos na sua continência que está alicerçada no Amor a Deus e ao próximo, os celibatários no resguardo amoroso para o Senhor e no serviço ao outro. São estas coisas ditas ordinária, “do dia a dia” que devem ser vividas com intensidade de espírito e coração, na vivência firme dos seus propósitos, mas sempre certos que é o Senhor quem nos carrega. Grande mesmo é quem escolhe não se desviar do caminho certo, por outros incertos, ainda que sejam bons. Uma coisa ser boa não diz que ela é feita para nós.

É quando escolhemos ser com fidelidade e sinceridade de coração nosso chamado, sem amarras falsas ou projetos secundários que somos heróis. Não colocar “adereços” desnecessários aos nossos caminhos, coisas que parecem leves aos nossos olhos, mas que são um peso. São Tarcísio ensina que não basta carregar Jesus, no entanto é preciso ter firme em nosso interior as resoluções que temos para uma vida santa.

Por Sem. Raifran Sousa