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Homilias

Jesus continua a reinar servindo o mundo com sua justiça.

O comprometimento com o reino de Cristo implica num comprometimento com a vida, com o outro

Amados irmãos e irmãs, hoje chegamos ao cume do ano litúrgico com a celebração da Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei e Senhor do Universo. Que nos leva a pensar em que consiste o Reinado de Jesus, e o que fazer ou como viver para pertencer a este reino. Um rei governa através de decretos, leis, instituições que modelam a fisionomia do seu Reino. O Reino de Jesus Cristo é diverso, o discurso potente que molda a vida dos que a ele pertence, é a própria vida do Rei, feita entrega generosa e gratuita para fundar um reino de amor e justiça.

Um outro aspecto que distingue o Reino de Jesus Cristo de um mero reino humano é que Ele é “Rei e pastor”. E como pastor Jesus realiza na sua vida todas aquelas atitudes prescritas por Ezequiel 34: procura, cuida, resgata, apascenta, reconduz, e separa as ovelhas dos cabritos. Jesus é aquele que procura, sobretudo aqueles que estão perdidos. Como ele próprio diz no Evangelho: “Com efeito, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido” (Lc 19, 10). Esta atitude própria de Jesus, Rei e Pastor, que vai atrás que procura o que está perdido, que deixa as noventa e nove ovelhas e vai atrás da que se perdeu (cf. Mt 18, 12), deve ser inspiração para a nossa vida pastoral, que não pode ficar fechada no círculo daqueles que procuram ou que estão na paróquia. Ir atrás de quem está perdido, dos que estão desorientados é reinar com Cristo.

E Jesus procura aqueles que estão perdidos para resgata-los da morte. Como o mundo de hoje e de sempre precisa ser resgato por Jesus Cristo. Resgados da mentira, resgatados do medo, resgatados da falta de esperança tão comum em nossos dias. Só Jesus Cristo pode resgatar o ser humano do meio dos enganos do mundo e do Demônio para devolver-lhe a esperança e a dignidade.

Mas este mesmo Jesus que apascenta, que cuida, que procura, que resgata, é também aquele que tem o poder, o discernimento, a autoridade, para separar as ovelhas dos cabritos: “Quanto a vós, minhas ovelhas assim diz o Senhor Deus, eu farei justiça entre uma ovelha e outra, entre carneiros e bodes” (Ez 34, 17).

O cuidado do pastor é para que nenhuma ovelha se perca, um convite à conversão. Não podemos estar no rebanho do Senhor e ao mesmo tempo rejeitar orientar a nossa vida pelos valores do seu reino: “Reino da verdade e da vida”, “Reino de santidade e da graça”, “Reino da justiça, do amor e da paz”. Estas são as leis que devem moldar a vida dos que pertencem ao reino de Jesus Cristo.

Estes valores nos levam a entender que Jesus reinou servindo. E ainda agora Jesus reina servindo o mundo com sua verdade, sobre Deus, sobre o homem e sobre o mundo. Sem este serviço da verdade que vem de Jesus Cristo o homem vive uma mentira sobre Deus, sobre o mundo, sobre si mesmo. O mundo, o homem e Deus, sem a verdade que vem de Jesus Cristo se tornam farsas construídas por mãos humanas para corresponder aos interesses mesquinhos do ser humano.

Jesus continua a reinar servindo o mundo com sua justiça. Como pesa sobre os ombros da humanidade e dos indivíduos uma sensação de injustiça, de danos que não foram devidamente reparados. Pesa sobre o mundo, sobre a história, sobre nossa própria história pessoal uma sensação angustiante de impunidade, que só pode ser satisfeita pela justiça de Cristo manifestada por sua entrega amorosa na cruz. A injustiça do mundo foi crucificada com Cristo para que as lágrimas de tantos inocentes e injustiçados de ontem e de hoje não ficassem sem uma resposta de Deus: “Ele enxugará toda lágrima dos seus olhos” (Ap 21, 4). Assim, a entrega de Jesus na Cruz e a resposta de Deus às lágrimas dos inocentes, dos injustiçados e abandonados deste mundo.

De modo semelhante, quando o cristão se compromete em enxugar as lágrimas dos que tem fome, sede, do estrangeiro, do nu, do doente, do prisioneiro, do que está na dúvida, do que perdeu a esperança, do que é odiado, está reinando. Pois para o cristão, como Cristo, reinar é servir. O comprometimento com o reino de Cristo implica num comprometimento com a vida, com o outro.

Por fim, na sua manifestação gloriosa, o Senhor revelará toda sua justiça e evidenciará toda injustiça dos homens. Assim os que foram ovelhas, que não ignoraram as lágrimas e sofrimento do próximo, que não cuidaram só dos seus interesses, dos seus direitos, os que tiveram a ousadia de abraçar Cristo e abandonar os ídolos, os que serviram ao seu reino de verdade, graça, amor, paz e verdade, participarão da plenitude do seu Reino. “Portanto, estes irão para o castigo eterno, enquanto os justos irão para a vida eterna” (Mt 25, 46).

Pe. Hélio Cordeiro

A certeza da vida eterna nos compromete mais profundamente com a vida presente.

Amados irmãos e irmãs, bem sabemos que pela sua providência Deus atua na história para realizar o seu plano de amor. Mas não podemos esquecer que a ação de Deus espera sempre pela resposta do homem, que, por isso, se torna corresponsável pela história e pela criação. Assim, quando o homem se empenha em colaborar com o progresso humano e social está colaborando com a providência divina, que atua também através das causas segundas.

A consciência desta realidade aguça a nossa responsabilidade e sensibilidade de cristãos, que não podem ficar de braços cruzados diante da vida esperando soluções miraculosas para realidades que exigem o empenho humano auxiliado pelo concurso da graça e da providência divina. O homem foi feito por Deus custódio da criação, que lhe confiou os seus bens, os seus talentos para que estes fossem multiplicados e colocados à serviço de todos.

Esta tomada de responsabilidade começa, em primeiro lugar, em ser responsável diante da própria vida pessoal. Estamos em um contexto cultural em que a responsabilidade pessoal está totalmente esvaziada. Ninguém responde por seus atos, tudo é culpa de traumas do passado, de condicionamentos culturais. Tudo é culpa da sociedade anônima. Como se por traz desta não houvesse pessoas livres, que podem escolher o bem a despeito do mal que lhe atinge e tantas vezes lhe é oferecido.

Não podemos esquecer, também somos responsáveis pelo mundo que nos cerca. E nosso empenho em multiplicar os talentos da graça, da bondade, da verdade, da liberdade, da responsabilidade, da santidade, da dignidade que Deus nos deu. Não significa curvar-se a este mundo, no sentido de torna-lo melhor, para tornar a existência um pouco mais suportável, uma vez que a vida eterna é uma realidade muito incerta.

Muito pelo contrário, a certeza da vida eterna nos compromete mais profundamente com a vida presente, por saber que o que aqui vivemos ou fazemos, estão vinculados à nossa vida futura. Embora nesta vida os nossos atos sejam efêmeros e passageiros, por menor que sejam, tem sempre consequências eternas.

Por isso, é preciso refletir melhor nossas escolhas de vida, nosso modo de relacionar-se com o outro, com o mundo. Pois este mundo, que sofre por falta de amor, de sacrifício, de doação, de compreensão, de partilha, de conversão, espera ansiosamente pela manifestação dos filhos de Deus (cf. Rm 8, 18-22).

Os filhos de Deus, portadores dos talentos do Senhor, precisam se fazer presentes, na política, na economia, na educação, na Igreja, na medicina, no direito, na ciência, em todos os âmbitos. Para que estas realidades sejam transformadas a partir de dentro. Não adianta somente ficarmos fechados em nossas igrejas, reclamando que o mundo vai mal, que as leis são perversas, que a saúde é desumana, que a politica é corrupta, que a lei é injusta.

Por fim, o mundo cansado, doente, desumanizado, escravizado, espera a manifestação dos filhos de Deus. Mas se dolorosa é a ausência dos filhos de Deus nas estruturas sociais, mais dolorosa é a presença que não faz a diferença, que não transforma, que não confronta. Atitude própria dos cristãos apáticos, medrosos, que tem prática de fé, mas quando atuam na vida pública, escondem seus talentos num buraco, deixam a sua fé na igreja. Ser bom cristão e péssimo cidadão são duas realidades que não se conjugam. Seja por covardia, por conveniência ou outras razões. Assim, o Evangelho nos convida a não deixar o mundo privado dos talentos que Deus nos confiou, para que a face da terra seja renovada, à luz dos desígnios de Deus.

Pe. Hélio Cordeiro

“Acaso não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus mora em vós?” (ICor 3, 16)

“Acaso não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus mora em vós?” (ICor 3, 16)

Amados irmãos e irmãs, hoje em comunhão com toda a Igreja celebramos a Dedicação da Basílica do Latrão: “A igreja mãe de todas as igrejas da Urbe e do Orbe”, sinal de comunhão para toda a Igreja. E dentro desta liturgia emerge a imagem do templo como lugar da habitação de Deus. E a Palavra vai mais adiante ao identificar o templo de Deus com o ser humano: “Acaso não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus mora em vós?” (ICor 3, 16).

Quando uma comunidade constrói a sua igreja, procura fazê-lo da forma mais bela possível para ser sinal visível da presença do sagrado, morada de Deus entre os homens. Um lugar que por si mesmo convida os homens a se prostrarem diante de Deus em oração. Embora, é preciso dizer, que grande parte de nossas igrejas perderam na sua forma e na sua arquitetura os elementos e beleza sagrada que por si só fazem sentir e perceber que ali é um lugar privilegiado do encontro com Deus.

E podemos dizer que este mesmo empobrecimento que ofuscou a presença do sagrado em nossas igrejas, em nossos templos, encontra o paralelo num outro templo santo – o ser humano. Parece que a mesma decadência que esvaziou o sentido sacral de nossas igrejas, tem repercutido também na vida de muitos batizados, cuja aparência já não se assemelha mais ao templo de Deus. Antes a escravos das artimanhas do demônio.

A Palavra está diante de nós para não nos deixar esquecer: “Vós sois construção de Deus” (ICor 3, 9). Um templo construído não por mãos humanas, no qual Deus quer habitar. É Deus mesmo que realiza no ser humano a santidade necessária para torna-lo templo santo de Deus. E se nosso corpo é templo de Deus, construção de Deus, temos que evitar dois extremos: o desprezo do corpo como algo negativo ou seu endeusamento, a chamada obsessão pelo corpo perfeito, pela própria imagem, que para muitos tornou-se um verdadeiro culto.

Quantos tem destruído este templo com vícios de toda ordem, ofuscando em si a imagem e semelhança de Deus. O uso disseminado de drogas, a banalização da sexualidade, a exposição despudorada do corpo, a violência contra o semelhante, os homicídios, a escravidão e exploração do outro em vista de vantagens econômicas. Realidades que tem causado tanta morte, e produzido seres humanos desfigurados de sua própria humanidade. São todos sinais do desprezo com o templo sagrado de Deus que é cada pessoa humana.

No outro oposto, se encontra a busca desesperada pelo corpo perfeito, sarado para serem expostos como cartão postal no perfil do Facebook, para os que são anônimos, e nas capas de revistas para os que são famosos. E assim se apresentam como os modelos a serem seguidos e reproduzidos. De nada adianta um corpo sarado com uma alma doente, distante de Deus. Músculos avolumados, tatuados, e vistosos, corpo definido, com coração medíocre, vazio e pequeno. Fruto desesperado do ser humano que quer construir-se a si mesmo a qualquer custo como sua imagem e semelhança. Se esquecendo que não somos construção nossa, mas “construção de Deus” e que o que construímos dura muito pouco. Só o que Deus constrói dura para sempre. Se cuidássemos da nossa alma e do nosso coração com a mesma obsessão com a qual às vezes cuidamos do corpo, certamente teríamos, menos gente deprimida e infeliz.

Por fim, o Senhor nos chama ao equilíbrio. O cristão não se deixa escravizar nem pelo desprezo, nem pelo endeusamento. Deus já chamou cada pessoa à vida com a dose justa de beleza. Beleza em sentido amplo. Uma beleza interior, alicerçada pela presença de Jesus Cristo, manifestada exteriormente num jeito sóbrio de ser, de sorrir, de se vestir, de se divertir. Pois o principal adorno do cristão é o próprio Jesus Cristo e o Espírito Santo que nele habita.

Pe. Hélio Cordeiro

Crer na vida eterna.

“Ao Senhor eu peço apenas uma coisa, e é só isto, que eu desejo: habitar no santuário do Senhor por toda a minha vida” (Sl 26)

Amados irmãos e irmãs, hoje a Igreja nos convida a lembrar e rezar pelos fiéis defuntos, não para nos lembrar da morte, pois a celebração de hoje é, sobretudo para nos lembrar da vida, não desta vida, mas da vida que não passa, a vida eterna, a vida imortal. A celebração de hoje é um convite para olharmos sempre para o ressuscitado, para que olhando para ele renovemos em nós a esperança da ressurreição futura que nós esperamos.

Cada domingo professamos a nossa fé dizendo: “Creio na ressurreição da carne e na vida eterna”. Esta é uma verdade de fé que é objeto da nossa esperança cristã. E como tal é uma realidade que ainda esperamos. Mas o fato de ser algo para o futuro, não é uma verdade dissociada da nossa vida presente. Pois somos chamados já agora a moldar nossa vida e interpretar os acontecimentos da história segundo esta verdade.

De modo que crer na vida eterna, na vida imortal, na ressurreição, tem implicações imediatas na vida presente. Sobretudo, esta verdade nos ajuda entender que qualquer bem deste mundo, qualquer prazer, qualquer satisfação, são realidades incompletas. Não podem saciar o desejo mais íntimo e profundo que cada pessoa trás dentro de si, que é o desejo de ver a Deus. Isto nos torna livres diante das coisas, atitude tão importante para não sermos engolidos pelo consumismo.

Se não compreendemos isso, nos tornamos verdadeiros escravos, das coisas, das realidades imediatas. E como a falta de confiança nesta verdade tem tornado o homem escravo do mundo. Pois se nosso olhar não está voltado para Deus, para a vida futura, gastamos toda nossa vida querendo saciar um desejo infinito com coisas que são finitas, corruptíveis. Assim, o desejo permanece sempre em aberto, porque só a visão de Deus pode preenchê-lo plenamente.

Precisamos aprender com o salmista a pedir: “Ao Senhor eu peço apenas uma coisa, e é só isto, que eu desejo: habitar no santuário do Senhor por toda a minha vida” (Sl 26). É este desejo que deve mover a nossa vida, desejo de ressuscitar para viver e contemplar a face de Deus. “Se, pois, morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele” (Rm 5,8), “Pois esta é a vontade do meu Pai: que toda pessoa que vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna” (Jo 6, 40).

Qual o desejo mais profundo que tem influenciado sua vida, suas escolhas? É preciso cuidar para não deixar os desejos secundários, passageiros, apagar em nosso coração o desejo fundamental de querer ver Deus: “Eu sei que o meu redentor está vivo e que, por último, se levantará sobre o pó; e depois que tiverem destruído esta minha pele, na minha carne, verei a Deus” (Jo 19, 25-26). Partindo desde desejo fundamental de ver a Deus é que devemos organizar a nossa vida presente. Aqui é preciso parar e refletir um pouco: Minha vida está organizada, orientada segundo a realidade de alguém que espera a ressurreição, que quer ver a Deus?

Por fim, a ressurreição é dom de Deus: “E eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6,40). É Cristo que nos ressuscitará, é Ele quem nos dá a vida, ele é a vida. A ressurreição é completamente distinta da falsa ideia de reencarnação que é vista como um ciclo natural e sucessivo de vidas que realiza uma purificação do espírito, tornando-o cada vez mais livre das amarras do corpo, numa espécie de platonismo. A ressurreição, pelo contrário, contempla o homem todo, seu corpo é templo do Espírito Santo e está destinado à ressurreição. Não uma superação do corpo é uma glorificação do mesmo em Jesus Cristo para uma única vida que não passa. Pois em Cristo não temos sucessivas vidas, mas temos a Vida Eterna.

Pe. Hélio Cordeiro

Maria é sinal de Deus

Roma, 12 de outubro de 2014

Nossa Senhora Aparecida/A

Leituras: Est 5,1-2;7,2-3/Sl 44 (45)/ Ap 12, 1.5.13.15-16

Evangelho: Jo 2, 1-11

Como é bom poder celebrar a maravilhas de Deus realizadas em Maria, a mais santa entre todas as mulheres, enriquecida com a plenitude da graça; primícia e modelo da Igreja; modelo de santidade e advogada nossa. Assim como a claridade é sinal de luz, a fumaça e sinal de fogo, Maria é sinal de Deus. Conhecemos o valor de uma árvore pela qualidade dos seus frutos, e o fruto de Maria é Jesus.

Maria foi enriquecida por Deus com a plenitude da graça, pois, como Arca da Nova Aliança, acolheu no seu seio o Cristo, e Ele é a graça em plenitude. Portanto, a riqueza de Maria é Jesus Cristo. Despojada das joias e riquezas deste mundo, mas ornada com a beleza encarnada, pois Jesus Cristo é a beleza de Maria. Assim, Maria nos convida a acolher Jesus Cristo como “a beleza sempre antiga e sempre nova” (Santo Agostinho), que orna nossa vida com o vinho novo da fé, da esperança e caridade. Sem esta beleza a vida perde o sentido, a festa perde a sua alegria.

Maria é primìcia e modelo da Igreja. De modo que, na sua missão, a Igreja precisa reproduzir as atitudes de Maria diante de Deus: a escuta, a obediência, a humildade para acolher um projeto que é de Deus, e por fim gerar Jesus Cristo de modo sempre novo para a humanidade em cada momento da história. Mesmo na sua Assunção Maria é o modelo completo da Igreja. Pois elevada ao céu está dizer a Igreja, enquanto presente na história sua missão é gestar Cristo para a humanidade, para que esta mesma humanidade possa ser gerada para Deus, a fim de ser glorificada por Cristo no Reino dos céus. Assim, a Assunção de Maria indica o futuro da Igreja – a glória do céu.

Maria é modelo de santidade e advogada nossa. Santo não é aquele que diz não, é aquele que diz sim ao projeto de Deus. Maria é a mulher do sim: “Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). Ao dizer sim a Deus, Maria acolhe a novidade que vem de Deus – Jesus Cristo. Ser santo, segundo o modelo de Maria, é acolher a novidade que vem Deus. Por isso, a santidade é dinâmica, é ativa, não é negação como muitos pensam. Ser santo, a exemplo de Maria, é dizer sim a Deus colocando-se a serviço dos irmãos: “Donde vem que a mãe do meu Senhor me visite?” (Lc, 1, 43). Com Maria aprendemos que ser santo significa estar próximo de Deus sem desprezar a humanidade. Pois o santo é aquele se coloca próximo de Deus e dos seus semelhantes. Quem não vive para servir a Deus não serve para ser santo.

Por fim, Maria é nossa advogada. Aquela que está na corte do Rei, a exemplo de Ester, e não cessa de pedir ao Filho pelos seus: “Eles não tem mais vinho” (Jo 2, 3). Quantas vezes nos falta o vinho novo da alegria, da esperança, da fé, do entusiasmo. Não estamos caminhando sozinhos. Temos uma Mãe que conhece todas as nossas aflições e não deixa de apresenta-las a Cristo. Mas assim como nos coloca diante do seu Filho, Maria nos indica o caminho para chegarmos até Ele: “Fazei o que ele vos disser” (Jo 2, 5). Por sua obediência ela nos trouxe o Cristo, e nos chamando a obediência Maria quer nos levar até Ele. Nossa Senhora Aparecida! Rogai Por Nós.

“A vossa proteção recorremos, santa Mãe de Deus; não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita”

Pe. Hélio Cordeiro